Ser mulher é quadril em movimento
de coxa bem torneada.
É o brilho dos diamantes
e o perfume na lapela
por baixo da marca do beijo.
Quando ergues as mãos aos céus
e só encontras trabalhos e desventura
nos braços que terminam vermelhos
em pontas afrancesadas de unhas tratadas.
Ser mulher é batôm nos lábios
e tacões em equilíbrio.
É a graça dos flamingos
de perna alta e esguia
que pintam o mar de rosa.
Quando atiras o grito á multidão
e só um rosto olha para trás
ao encontro dos teus olhos incendiados
pelas pestanas pomposas de rímel preto.
Ser mulher é querer amor
que não sabe como acolher.
É inverter o sentido dos rios
e monopolizar os sorrisos
do trânsito que pára.
Quando na noite só há treva
há sempre uma mulher
que inebria um qualquer rosto
que transpira entre gemidos.
Ser mulher... é ser homem
menos o instinto animalesco.
É lutar sem cavalgadas
nem cheiros nauseabundos
que a guerra se faz a peito.
Quando abres os braços em redor
e te palpita na garganta um nó
sem gravata teres ao pescoço.
Zéphyro 14-10-2014
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