O meu sangue pulsa nas tuas vielas,
veias que correm os meus braços.
Vive nas tuas ruas de meia luz
a minha consciência,
tristonha como um menino
sujo que rejubila nos becos da Sé.
Que rola com a bola, paralelo abaixo
de ranho saudável pendurado no nariz.
Sempre feliz por ser tão pobre.
Não é primeira vez cada regresso a ti,
meu Porto. Quem é teu nunca te deixa.
Mesmo rumando por toda a parte.
A casa, queda-se em qualquer lugar,
o lar, leva-se ás costas com a bagagem
e com a pele e os cabelos,
desgrenhados e cinzentos
como a cara dos teus monumentos.
Só te fujo por estar feliz,
que me envergonha trair-te assim.
Só te deixo quando durmo
que me dói deixar-te só com a insónia.
Mas és tu a minha tristeza
que procuro como quimera.
És tu a asa que me encobre
e me permite tremer em paz,
me deixa só com os meus medos
que tanto prezo temer.
As pontes hirsutas
que te unem ao resto do mundo,
estão em mim como as barras de uma jaula
onde vivo por opção,
visto o lá fora ser tão rosa.
Não és mulher como outros lares,
não és pai ou pátria, que se ame porque sim.
Resides nas entranhas de quem nasceu em ti
como os cães e as peixeiras
e as meninas e os borrachos
nas portas das tuas fachadas,
amontoadas e desdenhosas junto ao rio.
Zéphyro 13/07/2014
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