domingo, 13 de julho de 2014

Manuéis do mundo

Estive a contar
e há tantos Manuéis no mundo.
Só daqui da minha guarita
consigo avistar uns quantos.
Um ali, atrás da sombra de um sobreiro,
limpando o suor com o chapéu de feltro,
outro acolá, entre castanholas,
entre saias e touradas
e outro lá longe
submerso pelos escombros de um tornado.
São tantos os Manuéis
como a dor que os acarinha.
- O Manuel é esforçado.
- O Manuel é estafado.
- O Manuel é espancado.
Mas nunca perde a esperança.
São tantos os seus dotes
como os trapos sujos na gaveta,
meia vazia, deste velho mastronço
de pinho e ferro fundido.
Trapos que limparam o vexame
e a vergonha, da maçãs do seu rosto.
É tanta a sua fé,
como a fome que guarda num baú,
junto ás recordações e louçaria
que vieram lá dos montes.
Há tantos Manuéis na vida...
Uns são retornados,
outros transtornados,
alguns, apenas ultrapassados
ou trespassados pela ganância
de outros nomes mais nobres.
Vejo daqui um Manuel mais,
Um Manuel só.
Desbotado e envelhecido,
pelo reflexo deste espelho.

Zéphyro  13/07/2014

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