Os erectos castelos do ocidente
não conseguem impedir as andorinhas
de pousarem nos seus beirais.
Não conseguem sacudir os voos picados
que deixam paus e palhas nos algerozes.
Quanto durará um minuto visto do céu?
Por entre as penas em círculos
agitadas como batutas em sinfonia,
de entre nuvens e ventos
e foguetes de arraial.
Quanto levará uma vida a desaparecer
para as profundezas, levando consigo as marcas
que cá deixou como mão transpirada em tampo de vidro?
Como raio xis em chapa negra e sem graça.
Que quase sempre traz notícias
de um edema pulmonar terminal.
A migração é o tanas e ás tantas
já nem se distingue quem chegou
de quem cá nasceu, quem partirá
de quem alimentará com os ossos a terra
onde sempre marcou os passos.
As torres continuarão altas
mesmo sem inimigos para derrubar.
Só as gaivotas em amálgama
e o prurido que deixam no fundo azul.
Continuam austeras, que o tempo é de azar
e os azares andam sempre acompanhados.
A fazer lembrar os velhos ricos
e as garrafas de espumante
defronte a brancos sorrisos
pagos a peso de ouro.
Quantos mundos se avistam
ao sobrevoar as cúpulas e os claustros?
E as damas a ler, escondidas pela sombra
das aias e dos marginais pomares
onde jamais pousam as andorinhas,
que não há ainda açúcar nos frutos.
Será apenas isto?
Ou será possível ver mais além
do alto das planagens e planícies viçosas?
Haverá outro povo mais além
a quem a migração dos passarinhos
entupa as chaminés?
Os castelos têm muralhas,
quase tão teimosas como os ninhos
que se agarram ás paredes lisas.
As paredes têm musgos
da humidade do inverno que já lá vai.
Serão um dia presépios,
quando já há muito tiverem partido
as andorinhas para ensombrar outros impérios.
Zéphyro 18/07/2014
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