Tudo o que sei, é escrever sobre o Amor.
Seja ele puro, liberto ou possessivo,
seja ele embaraçado ou desprovido de rubor,
tento saber sobre outras coisas, mas nunca consigo
e só escrevo sobre o Amor.
Gostava de poder descrever o mundo,
de satirizar com o Homem imundo
e com a sua falta de honestidade.
De poder com as palavras, conter a fome do vagabundo,
que corre sujo e de corpo meio desnudo
as ruas movimentadas da minha cidade.
Queria saber de ciência politica,
para falar mal da gente semítica
que governa o nosso Portugal.
Enxovalhar a teologia e a mística
de uma igreja profana e raquítica
que teima em esconder-nos o santo graal.
Mas tudo o que sei, é escrever sobre o Amor.
Sobre o medo que sinto de amar sozinho,
sem te ter deitada ao meu lado,
olhando-me com olhos cheios de carinho,
dando-me a mão, mesmo quando estou errado.
Gostava de falar sobre as mentiras Russas,
sobre as guerras e as escaramuças
e sobre os atentados do estado islâmico.
Queria poder cuspir-lhes nas fuças
e pisar-lhes as mentes obtusas
que vêm salvação em espalhar o pânico.
Quem me dera ser nocivo, como uma âmpola de cianeto.
Ser corrosivo, insolente e violento
como o mundo onde hoje me vejo.
Um mundo chuvoso, feio e cinzento,
fugido do sol e repleto de vento,
sem réstia de esperança, ou ponta de desejo.
Mas só sei falar sobre o Amor.
Amor verdadeiro e desajeitado,
amor meio despido e amor nu.
E vivo assim permanentemente enamorado
e a culpada disso... és tu.
Zéphyro 06-01-2016
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