domingo, 17 de janeiro de 2016

Por entre gatos e gaivotas

Caminho por entre gatos e gaivotas
de encontro a ti, sem pressas.
Sei que não tens mais para onde ir,
chumbada que estás, inexistente,
dentro dessa vil caixa de madeira,
nas tuas ultimas vestes de adeus.

Vou de vela em riste, para ti,
ou talvez para mim...
Nem sei bem se me escutas quando te falo
ou se falo com medo de esquecer que estás cá ainda.
Estás dentro de mim,
na forma do que sou e do que me tornei.

Caminho cinzento, por entre gatos e gaivotas.
Gatos que se enroscam nas campas,
que trepam as arvores para se abrigarem da chuva
e gaivotas que gritam sem respeito pelos outros,
que, como tu, aguardam que chegue o seu alguém.

Vou cheio de fé e pedidos na algibeira.
Saúde, sorte, trabalho para pôr comida na mesa...
Raramente te dou aquilo que mereces,
talvez por não saber se o queres ao certo,
ou se são apenas desejos meus para ti,
como se continuasses entre nós
onde não há gatos e gaivotas.
Onde não há árvores nem chamas trémulas.
Só o medo, o frio e a chuvas de Janeiro.


Zéphyro  17-01-2016

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