Em abono da verdade, vos digo,
que a verdade, é uma concubina,
agarrada aos ossos de um velho endinheirado,
que lhe sustenta os vícios materiais!
que a verdade, é uma concubina,
agarrada aos ossos de um velho endinheirado,
que lhe sustenta os vícios materiais!
Casas, carros, férias no estrangeiro.
Roupas, joias e respeitabilidade.
Tudo aquilo, que pode comprar o dinheiro,
cativa a grande manceba que é a verdade.
Em abono dela, vos digo,
que é uma bactéria, de boca em boca,
contagiando de morte e pedra
todos aqueles a quem toca!
Está na boca do pobre, que a vende,
está na boca do rico, que a entende!
Está nas crianças fantasiosas de hoje em dia,
está na maldade, como está na alegria!
Em abono da verdade, vos digo,
que a verdade é uma meretriz
de perna ao léu à beira da estrada,
por onde passam todos os dogmas.
Está no clero e na política,
está na ganância e na semítica
sociedade capitalista europeia,
que a vende como verdade, embora seja uma ideia.
Em abono dela, vos digo,
que é de todos e não é na verdade
de ninguém que não a pague,
pelo preço indicado na etiqueta.
É uma peça, uma mercadoria,
negociada, como um objecto qualquer,
que se paga a pronto e não se fia,
é para quem pode e não para quem a quer.
Em abono da verdade vos digo,
que a verdade é uma mentira!
Repetida mil vezes desde a orla da cidade,
até chegar verdadeira ao coração das gentes.
É um deus que não existe!
É um diabo que nos assiste
numa luta desbravada.
É uma crença desmesurada,
numa palavra que nada vale,
à qual já ninguém resiste.
É um pedaço de carne crua,
é um menino, abandonado na rua...
É o perfume francês de uma dama,
é o esterco de uma fossa,
e uma ferida que se inflama!
A verdade, é minha e vossa,
é um menino, abandonado na rua...
É o perfume francês de uma dama,
é o esterco de uma fossa,
e uma ferida que se inflama!
A verdade, é minha e vossa,
a verdade, não é nada!
Zéphyro 05-10-2015
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