Sonho com um mundo sem muros,
onde ser sírio ou português,
sul africano ou inglês,
sejam meros acasos geográficos.
onde ser sírio ou português,
sul africano ou inglês,
sejam meros acasos geográficos.
Um mundo sem fronteiras,
um mundo sem barreiras,
nem arame farpado de espécie alguma.
Uma enorme comunidade, verdadeira
e verdadeiramente comunitária,
onde sempre será bem vindo,
aquele que vier com boa vontade.
Ainda me lembro,
como se cá tivesse estado,
de uma mão cheia de ocasiões,
onde a humanidade só o foi,
por não existirem muros ou nacionalidades.
A última idade do gelo,
que levou mais de um terço
do mundo que pisávamos seco,
só não nos levou também, como espécie,
porque muros não havia
e os bravos, os corajosos, os humanos,
migraram e prosperaram noutras planícies.
O orgulho dos navegantes lusos,
que descobriram mundos oclusos,
só existe, porque não havia mapas,
nem havia cartas militares,
nem havia fronteiras.
Tudo era uma enorme incógnita
entaipada pelo desconhecimento,
desbravada pela liberdade e pela esperança,
de uma casa maior para criar os nossos filhos.
De novos sabores para os nossos pratos
e novas matérias primas,
com que erigimos as nossas cidades.
A humanidade acabou,
desde que erguemos o primeiro muro!
Agora, somos apenas homens e mulheres,
uns, mais humanos que outros,
porque vêm de mais longe,
porque vêm mais sujos e com parasitas
e não são merecedores da nossa paz.
A humanidade acabou,
quando o homem se fez gente!
Antes, quando eramos nómadas,
a nossa casa era onde
fossem mais verdejantes os prados,
onde fossem mais limpos os riachos
e mais fartos os animais.
Agora, que somos sedentários e gordos,
a nossa casa, é onde nos manda
o bilhete de identidade.
Ainda que esteja em ruínas,
ainda que já não haja terra que cultivar.
É esse o nosso lar e,
se porventura, tivermos de padecer com fome,
foi o destino que assim o quis!
Sonho com um mundo de homens humanos,
onde cada um, é livre!
Livre de buscar por alimento,
livre de procurar sustento,
sem que lhe chamem estrangeiro,
sem que seja alienígena e acabe alienado.
onde cada um, é livre!
Livre de buscar por alimento,
livre de procurar sustento,
sem que lhe chamem estrangeiro,
sem que seja alienígena e acabe alienado.
Sonho um mundo sem muros!
Onde a paisagem não tem limites,
onde, se estiver céu limpo,
podemos admirar todo o planeta.
Onde a paisagem não tem limites,
onde, se estiver céu limpo,
podemos admirar todo o planeta.
Será que alguém escolheu onde nascer?!
Não, porra!
Mas todos deveríamos poder escolher,
onde criar os nossos laços.
Porque têm de morrer de fome
aqueles que nascem em terras sem sustento?
Se aqui, de onde vos escrevo,
todos os dias desperdiçamos alimento
e nos achamos, por isso, afortunados!
Sonho com um mundo aberto,
sem húngaros mal agradecidos e enmurados,
sem russos voadores endiabrados
e com homens e mulheres,
simplesmente humanos,
que não estourem com as bombas
e acabem feitos em bocados.
sem húngaros mal agradecidos e enmurados,
sem russos voadores endiabrados
e com homens e mulheres,
simplesmente humanos,
que não estourem com as bombas
e acabem feitos em bocados.
Será pedir demasiado?
Zéphyro 06-10-2015
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