Há mais de uma semana que não acordo
com o teu sabor a inundar-me a boca.
Ultimamente, só acre e tabaco
que raramente escovo os dentes
antes de me deitar para dormir.
Faz-me falta o teu suor no meu suor
e o teu lado quentinho da cama
quando calha levantares-te mais cedo.
Hoje, acordei a tremer de frio
e não adiantou rolar no leito.
Não há marcas do teu corpo
nesta estreita cama de solteiro.
Não me irrito, há mais de uma semana...
Não me excito, há mais de uma semana...
Não existo, há mais de uma semana.
Ultimamente, dei férias ao que eu sou
quando estou dentro de mim,
alforriei aquele que existe
quando estou dentro de ti.
Sinto falta do teu mel a lambuzar-me
a pele em redor da boca, já seco, pela manhã.
Adoro estar sujo de ti e dos teus fluídos.
Tiro deles usufruto para que possa ver-te
mesmo estando longe de ti.
Há mais de uma semana não te tenho,
mas amanhã é sexta feira e não me escapas.
Zéphyro 22-01-2015
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