terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Charlie Hebdo

Sou ateu!
Não há, por isso,
deus nenhum cujo nome,
queira defender com a vida.
Divina, só a liberdade
e, por ela sim, morreria
com todo o orgulho do meu ser.
Assim fez Charlie Hebdo
e a sua brigada de caneta em punho.
Deram a vida e o peito
às balas de quem não crê
na liberdade como deus Uno.
Morram infames assassinos da palavra!
A ceifar vidas a bel prazer,
em nome de um deus mesquinho,
que deveria unificar no respeito
e no amor pelo próximo.
Morram fundamentalistas sem fundamento!
Morram jihadistas muçulmanos!
Vergonha de todo um mar de gente
que roga ao mesmo deus,
sem ter fé ou recorrer à lei da bala.
Sou ateu!
Não desejo, por isso,
a morte de quem quer que seja,
nem tenho sede de vingança.
O meu deus não tem amarras,
não condena nem ordena.
Creio no deus homem,
que respeita o vizinho
como respeita a si mesmo.
Morram nações de merda
que teimam em entaipar ao povo
a vista para o mundo!
Morram mártires da falsa fé
e carrascos da santa sé!
Sempre a limitar o mundo,
que nos deu um nosso senhor
que nada tem de celeste.
Sou ateu, por isso,
apenas acredito na bondade
com que quero ser tratado
na minha passagem pela terra.
Efémera como a vida de Charlie.
Homem do mundo, como eu
e sem ponta de obscuridade.
Morram militares e heróis asquerosos!
Com armas onde deveriam ter
apenas mãos. Prontas e abertas
para dar e receber.
Morram filhos, morram pais,
morram polícias do mundo
que carece policiamento!
Sempre em busca de ouro negro
ou outro qualquer, que também brilhe.
Morram desertores da verdade!
Almas impuras de toda a parte.
Sempre quis ser um eu original
e viver dissociado de clichés
e longe de lugares comuns.
Mas não hoje, não aqui!
Moi aussi, Je suis Charlie!

Zéphyro  09-01-2015

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