domingo, 17 de agosto de 2014

Um dia, hei-de ter um barco!

Um dia, hei-de ter um barco!
E levar-nos rio acima
a cruzar pontes e acenar
de volta a quem acena de passagem.
Um barco à vela cuja vela,
possa içar com a bandeira da pátria
ou outra qualquer que fique bem.
Então teremos estilo!
Um dia, hei-de saber ler os mapas
e levar-nos a dar a volta ao mundo
e cruzar oceanos e dobrar cabos
com a esperança a acenar das margens.
Mapas com os mares, os rios e as correntes.
Cartas das estrelas, das marés e das luas.
Um dia, conseguirei, com certeza,
que hei-de dar em marinheiro!
Um dia, hei-de ter um barco,
uma lancha grande, até um iate.
Hei-de dar-nos todos os clichés
e todas as taças de bruto e pores do sol
dobrados pela linha do horizonte.
Hei-de levar-nos a passar
os dias em albufeiras
e a fazer desportos náuticos
e refeições de peixe fresco
na esplanada de um porto qualquer.
Um dia, sim, um dia,
deixaremos atrás rastos de espuma
e ergueremos ondas velozes.
Dar-nos-ei o vento nos cabelos,
que ainda é cedo para ancorar.


Zéphyro  17-08-2014

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