Vinte pessoas apinhadas e apertadas
debaixo de uma paragem de autocarro.
Um velhinho, encharcado na beira da estrada
a tentar dar fogo ao seu cigarro.
debaixo de uma paragem de autocarro.
Um velhinho, encharcado na beira da estrada
a tentar dar fogo ao seu cigarro.
Montanhas de folhas secas empilhadas
entopem uma a uma as sarjetas.
As bermas transformadas em poças enlameadas
e as nuvens galgam o céu, irrequietas.
entopem uma a uma as sarjetas.
As bermas transformadas em poças enlameadas
e as nuvens galgam o céu, irrequietas.
Em manhãs assim, o inverno
chega até a parecer eterno
e a esperança, como o verão, ficou para trás.
A chuva, o vento, o frio…
As ruas transformadas em rios,
levam a vontade da gente e levam a paz.
chega até a parecer eterno
e a esperança, como o verão, ficou para trás.
A chuva, o vento, o frio…
As ruas transformadas em rios,
levam a vontade da gente e levam a paz.
Os carros, parados em filas sem fim
e as buzinas, impacientes gritam por espaço.
As escovas, martelam os para-brisas, em frenesim
e o povo canta o que dá no rádio a coberto dos vidros baços.
e as buzinas, impacientes gritam por espaço.
As escovas, martelam os para-brisas, em frenesim
e o povo canta o que dá no rádio a coberto dos vidros baços.
Uma moça na casa dos vinte anos,
tenta segurar o guarda-chuva
ao qual o vento tenta levar o pano
e dobra as varetas até ficarem curvas.
tenta segurar o guarda-chuva
ao qual o vento tenta levar o pano
e dobra as varetas até ficarem curvas.
Em manhãs assim, chuvosas,
mar nenhum parece um mar de rosas,
apesar de haver água por todos os lados.
Só o povo, preso num naufrágio em terra
e as aves, tremendo nos galhos, como quem teme a guerra
todos sujos, todos tristonhos e todos molhados.
mar nenhum parece um mar de rosas,
apesar de haver água por todos os lados.
Só o povo, preso num naufrágio em terra
e as aves, tremendo nos galhos, como quem teme a guerra
todos sujos, todos tristonhos e todos molhados.
Um grupo de crianças de mochilas carregadas,
em fila indiana, pelo passeio vai, aos salticos
de poça em poça, testando as galochas despreocupadas,
sem ouvir os berros da educadora que as chama com o cabelo em fanicos.
em fila indiana, pelo passeio vai, aos salticos
de poça em poça, testando as galochas despreocupadas,
sem ouvir os berros da educadora que as chama com o cabelo em fanicos.
A entrada caótica de uma escola,
onde os papás deixam os filhos de carro na porta.
O recreio, sem pulsação nem miúdos a jogar á bola
e as empregadas, debaixo do coberto especadas como uma natureza morta.
onde os papás deixam os filhos de carro na porta.
O recreio, sem pulsação nem miúdos a jogar á bola
e as empregadas, debaixo do coberto especadas como uma natureza morta.
Manhã chuvosa de inverno esta,
com as bátegas a cair, como os confettis nas festas
sem ter porém nada que festejar.
Só a noite que não deixa espaço à manhã,
só o algodão, substituído pela lã
e as preces que sem alento, nem ao céu sabem chegar.
com as bátegas a cair, como os confettis nas festas
sem ter porém nada que festejar.
Só a noite que não deixa espaço à manhã,
só o algodão, substituído pela lã
e as preces que sem alento, nem ao céu sabem chegar.
Zéphyro 29/11/2018
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