A boca abre e a garganta dispara,
silvos sem som, sopros sem sentido.
E a vergonha do silêncio, estampada na cara
e o grito de dor, no peito contido.
Zumbidos distantes furam o nada
e o nada, ofendido prossegue sozinho
o caminho atroz, de boca emudecida.
O som dos seus passos, abafados pela calçada
e os risos calados, largados pelo caminho,
na beira da estrada e ao largo da vida.
Reféns do silêncio respiram pudor
e sorvem as leis alheias, agradecidos,
como se ser mudo, fosse um favor,
ou um presente que recebem, de braços estendidos.
Linguajares sem fonética,
dialetos guardados no escuro da bruma,
vergada perante o império amordaçado.
E gentes, vazias, empaladas pela ética,
vão caindo e morrendo, uma a uma,
sem queixumes nem fado malfadado.
Zéphyro 28-09-2017
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