sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Distante diz tudo

Quando sonhaste que era eu
a arrancar-te da boca
os dentes a sangue frio,
erraste, que nessa noite dormi sozinho.
Contas a todos que sou simplório
e te inibo o sucesso.
Não fui eu, porém,
quem te cortou as pernas...
Que nem sangue posso ver,
quanto mais lâminas e garrotes.
Amaldiçoas o azar que, dizes, te trago
e as desventuras com que te mantenho
unida ao buraco onde vives.
Mas nunca antes vi gato preto
e nem sou da vizinhança.
Quando me culpas de andar longe,
de não ter pátria nem ter fé,
falhas redondamente.
Já estive para ser judeu
mas temi outro holocausto.

Zéphyro 26-09-2014

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