Anseio por cada final de dia,
por poder ir para casa e fugir
do marasmo que se me cola na pele.
Mas nem em casa tenho descanso
pois é de barro o meu silêncio
e é de pregos a minha cama, que inflama
ao invés de aconchegar.
Desejo arduamente cada fim de semana,
para poder prostrar-me e morrer um pouco,
deixando a vida que me apoquenta.
Mas é de ferro a minha poltrona
e mói-me as costas sem piedade
das agruras do meu quotidiano, profano
que me bate ao invés de me abraçar.
Espero esperançado por cada Verão,
por poder deitar-me numa praia
e esquecer o Inverno sem fim.
Mas é o godo em vez da areia
que me acondiciona o corpo massacrado
e me relembra de todas as dores, que sem pudores
fui obrigado a condescender e aceitar.
Sem descanso a vida não é viver...
É apenas uma marcha de desalinhados
ao encontro do sopé do cadafalso.
É meramente um teatro de fantoches,
sem espectadores sentados na tribuna.
É somente uma corrida que sempre perdemos,
mesmo não tendo a quem vencer.
Zéphyro 22-04-2016
Percebo perfeitamente o que dizes. Felizmente começo a dar a volta a isso. Quanto menos bens materiais tenho, mais rica me sinto, porque me liberto. Beijinhos Marco! Saudades.
ResponderEliminar